Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.” (Esopo)

sábado, 4 de outubro de 2014

HISTÓRIA - TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO EM MATO GROSSO DO SUL

TRANSPORTES E COMUNICAÇÃO EM      MATO GROSSO DO SUL


A EVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES

Você já pensou como chegam aqui as mercadorias que são produzidas em outros estados ou até mesmo em outros países? Imagine como era antigamente.
A ligação de Mato Grosso com o restante do país nos séculos XVIII e XIX não era nada fácil. A principal via de acesso era a fluvial, pelos rios da bacia do Prata e pelo caminho das Monções, utilizado desde a descoberta de ouro em Cuiabá no ano de 1719.
No início do século XX, várias companhias faziam o transporte fluvial e marítimo, entre elas o Lloyde Brasileiro, que mantinha linhas regulares entre Montevidéu, Buenos Aires, Assunção e Corumbá. Ainda hoje existem linhas regulares que ligam Corumbá a Assunção, no Paraguai, e a outros países.
Além do transporte fluvial, eram utilizados alguns caminhos terrestres que ligavam a região a Goiás e Minas Gerais. A estrada do Piquiri fazia a ligação entre Cuiabá (MT) e Uberaba (MG). Porém, as condições dessas estradas eram bastante precárias, o que tornava as viagens muito longas e cansativas. A viagem de Mato Grosso a Goiás ou a Minas Gerais por terra demorava, em média, de 4 a 6 meses.
Desde a década de 1870, havia planos de construção de uma ferrovia, mas isso era um empreendimento custoso e demorado. Finalmente, no começo do século XX, o Banco União de São Paulo e outros acionistas mostraram-se interessados em fazê-lo. Surgiu, assim, a Companhia de Estradas de Ferro Noroeste do Brasil.

A ESTRADA DE FERRO NOROESTE DO BRASIL

A construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi iniciada em 1905. Partia de Bauru, no estado de São Paulo, e seguia no sentido Noroeste em direção ao atual estado de Mato Grosso do Sul. Em 1914, atingiu Campo Grande e depois Porto Esperança, no extremo noroeste d estado, à beira do rio Paraguai. Por muito tempo, a estação de Porto Esperança permaneceu como o ponto terminal da Noroeste em Mato Grosso. Foi apenas em 1952 que a ferrovia chegou a Corumbá, na divisa com a Bolívia.
Por sua vez, o ramal ligando Campo Grande a Ponta Porã só começou a ser construído em 1938, tendo sido concluído em 1953. Surgiram, ao longo dos trilhos da Noroeste, novas cidades, como Três Lagoas, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Sidrolândia, entre outras.
A construção da ferrovia Noroeste do Brasil possibilitou o aumento da relações comerciais com o estado de São Paulo. O gado passou a ser transportado por trem, do sul de Mato Grosso do Sul para a cidade de Bauru, com maior rapidez do que nas comitivas e chegando em melhores condições.
A ferrovia não só impulsionou a produção de pecuária, como contribuiu para o aumento da população local, a valorização das terras e, consequentemente, para o desenvolvimento de alguns municípios, como Aquidauana, Miranda, Ponta Porã, Maracaju e Dourados.
A chegada da ferrovia Noroeste do Brasil a Campo Grande foi decisiva para o crescimento desta cidade, que se tornou u, importante entreposto comercial. Gradativamente, a partir do começo do século XX, a cidade de Campo Grande substituiu Corumbá como principal centro econômico da região que hoje corresponde ao estado de Mato Grosso do Sul, posição que ocupa até hoje.

OUTROS MEIOS DE TRANSPORTE

O primeiro automóvel chegou a Campo Grande em 1918. O comerciante português Luis dos Santos resolveu adquirir um veiculo motorizado e trazê-lo para o vilarejo, mudando assim a rotina pacata dos sons dos trotes dos cavalos para um novo som – o barulho do motor.
Com relação ao transporte urbano, durante muito tempo as charretes puxadas por cavalos foram os veículos mais utilizados nas cidades do nosso estado, hoje substituídas pelos ônibus e taxis. O serviço de transporte urbano de Campo Grande por ônibus foi regulamentado por lei em 1924, através de concorrência pública.
Um meio de transporte que muito contribuiu para o desenvolvimento do estado, graças às grandes distâncias, foi o taxi aéreo. Em 1941, foi fundado o Aeroclube de Corumbá. Com isso, os moradores da região saltaram diretamente das canoas e carros de bois para o transporte aéreo. O avião deu ao homem pantaneiro uma nova dimensão de segurança, conforto e rapidez. Atualmente, é utilizado também em viagens de turismo.
Pantaneiro: morador da região do Pantanal.

O DESENVOLVIMENTO DAS COMUNICAÇÕES

Durante muito tempo em nosso estado, as notícias só chegavam às pessoas oralmente, isto é, alguém visitava ou encontrava alguém e passava as informações. Os mascates (vendedores ambulantes). Levavam notícias da cidade para a zona rural e vice-versa.
Até 1960, eram poucas as cidades servidas por linhas telefônicas, apesar de existir um sistema telefônico que funcionava de maneira precária desde 1918 em Campo Grande. O rádio foi, durante muito tempo, um meio eficaz para o envio de recados para as fazendas, e, ainda que seja mais raro, até hoje podemos escutar recados do tipo: “Alô, alô, fazenda Minuano! Seu João avisa que vai hoje, podem espera-lo na reta”.

O TELÉGRAFO

Um dos fatores que muito contribuíram para o desenvolvimento do atual território de Mato Grosso do Sul foram os caminhos abertos pelo marechal Rondon na implantação das linhas telegráficas, o que facilitou a comunicação da região com o resto do país.
Após executar um longo trecho de posteamento e fiação na região doatual Mato Grosso, Rondom fez descer a linha telegráfica para o sul. Entre 1901 e 1905, seguindo o curso dos rios, interligou à rede telegráfica nacional as cidades de Itiquira (1901), Coxim (1902), Aquidauana (1903), Corumbá (1904), Miranda (1905), Bela Vista (1905) e Porto Murtinho (1905). Só mais tarde a linha telegráfica atingiu Ponta Porã, Dourados e Campo Grande.

FIQUE SABENDO

MARECHAL CÂNDIDO RONDON
“Morrer, se preciso for. Matar nunca” 

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mato Grosso no dia 5 de maio de 1865. Descendia de bandeirantes paulistas e de espanhóis, por parte de pai, e de índios, por parte de mãe.
Em 1906, o então presidente Afonso pena convocou o futuro marechal Cândido Rondon ao seu gabinete para incumbi-lo de uma difícil missão: estabelecer ligações telegráficas entre a cidade de Cuiabá e o Acre.
Para realizar esta importante tarefa, Rondon e seu grupo percorreram aproximadamente 35 000 quilômetros de florestas ainda inexploradas. Enquanto realizava  o trabalho de instalar os postes e fios telegráficos, o grupo fez também um mapeamento da região.
Durante essa missão, Rondon caiu prisioneiro dos Nhambiquara, que ainda não haviam travado contato com os brancos. Todavia, não permitiu que seus comandados reagissem, lembrando-lhes de que eram eles os invasores daquelas terras. Adotou então um lema que caracterizava sua atitude pacifista e de grande respeito em relação aos indígenas: “Morrer, se preciso for. Matar nunca”. Sete anos depois, seu trabalho estava concluído com sucesso.
O sertanista Rondon era um humanista que conheceu a fundo o Brasil e ganhou projeção internacional, embora tenha vivido em condições modestas.
Foi responsável pela construção de aproximadamente 7 000 quilômetros de linhas telegráficas e percorreu cerca de 35 000 em suas expedições, durante as quais contatou várias tribos indígenas arredias.
Rondon enriqueceu  o Museu Nacional com 23 107 exemplares de Botânica, Zoologia, Mineralogia, Geologia e Antropologia.
A Sociedade Geográfica de Nova York determinou a inclusão do nome de Rondon, em placa de ouro, ao lado dos de outros grandes descobridores e exploradores da terra: Peary , descobridor do Polo Norte; Amundsen, descobridor do Polo Sul; Charcot, explorador das terras Árticas; Byrd, explorador das terras Antárticas; e por fim Rondon, o maior estudioso e explorador das terras tropicais.
Em 1956, o governo brasileiro lhe prestou uma homenagem, substituindo o nome do antigo território d Guaporé por Rondônia. O marechal Rondon morreu com 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.
Enciclopédia Trópico. São Paulo: LivrariaMartins Editora, 1955.p.847-2.v.5.
A.F.Gonçalves e outros. Mato Grosso do Sul: estudos sociais. São Paulo: FTD, 1981.
Demosthenes Martins. Marechal Rondon. Jornal do Comércio Cuiabá. 1963.

ATIVIDADES

1.     Observe o mapa da página 127 que mostra a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e relacione os municípios pelos quais ela passa.

2.     Observe a imagem da página 128 e discuta com seus colegas os benefícios que a estrada de ferro trouxe para a economia do estado e a situação em que a ferrovia se encontra hoje. Em seguida, elabore um texto com as considerações do grupo (dupla) e apresente este texto a classe.

3.     Porque a expedição de marechal Rondon foi importante para Mato Grosso do Sul?

4.     Com a evolução dos sistemas de comunicação, Mato grosso do sul conta hoje (2011) com cerca de 480 000 linhas fixas e aproximadamente 500 000 celulares. Você acredita que esse avanço tecnológico melhorou o relacionamento entre as pessoas? Justifique sua resposta.

5.     Os meios de transporte facilitam muito a vida das pessoas, mas precisamos prestar atenção para que não aconteçam acidentes. Discuta o assunto com seus colegas e confeccionem um cartaz com os principais cuidados que devemos ter no trânsito. O CARTAZ PODE SER FEITO EM GRUPO DE ATÉ 4 PESSOAS.

Mapa da página 127




Imagem da página 128

Obs: Texto e atividades retirados do livro didático "História do Mato Grosso do Sul - 4º/5º ano - Volúme único - FTD - Lori Gressler - Luiza Vasconcelos - Zelia Peres" 
Capítulo 13 - Páginas 126 a 131.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça aqui seu comentário: